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Porto Alegre, quarta-feira, 25 de Abril de 2018

  • 13/04/2018
  • 18:38
  • Atualização: 18:49

Dólar volta a subir com incerteza eleitoral e fecha cotado a R$ 3,42

Moeda americana teve valorização de 0,49% na maior cotação desde dezembro de 2016

Dólar volta a subir com incerteza eleitoral e fecha cotado a R$ 3,42 | Foto: Paul J. Richards / AFP / CP Memória

Dólar volta a subir com incerteza eleitoral e fecha cotado a R$ 3,42 | Foto: Paul J. Richards / AFP / CP Memória

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O dólar à vista voltou a fechar em alta nesta sexta-feira mantendo-se na casa dos R$ 3,40. Encerrou o dia cotado a R$ 3,4263, com valorização de 0,49%, na maior cotação desde 2 de dezembro de 2016. Na primeira semana após a prisão do ex-presidente Lula, acumulou alta de 1,88%. Pela manhã e na reta final do pregão, a moeda americana alcançou o patamar de R$ 3,43, mas logo recuou. Na máxima do dia, a alta bateu em 0,63%, com a moeda a R$ 3,4311.

A manhã foi de volatilidade, a tarde sem tendência definida, e a alta se firmou no fechamento diante da expectativa do fim de semana recheado de notícias nos cenários interno e externo capazes de fazer preço nas cotações. Às 17h20, o dólar futuro para maio era negociado a R$ 3,4280, com alta de 0,32%.

Hoje foi dia de alta nas cotações do petróleo. Amanhã a Datafolha deverá divulgar pesquisa sobre os presidenciáveis brasileiros. O mercado quer saber qual o impacto da prisão de Lula no cenário e quais os efeitos que isso levará para outras candidaturas, em especial a do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa - esse é o candidato cujo perfil traz mais dúvidas ao mercado. Outro temor no mercado é a possibilidade de os Estados Unidos fazerem um ataque na Síria.

Presente em dois eventos em São Paulo hoje, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, ressaltou a necessidade de o Brasil continuar avançando com as reformas e o ajuste fiscal, pois, se as contas públicas não estiverem em ordem, o País não vai conseguir manter os juros e a inflação em patamares historicamente baixos.

Ilan comentou também que há espaço para novas reduções dos juros. "Estamos de um lado com inflação baixa e com espaço para tentar estimular a economia novamente reduzindo os juros e outras medidas. Ao mesmo tempo temos que saber que para frente há incertezas", afirmou. Entre essas incertezas, ele citou o cenário externo, que não continuará benigno para sempre e os riscos no ambiente doméstico, principalmente a paralisação da agenda de reformas estruturais. Não citou especificamente as eleições.

Bovespa

Uma série de dúvidas a respeito da cena política interna, mas também externa, fez com que os investidores não quisessem arriscar na ponta compradora antes do final de semana em que será divulgada a primeira pesquisa Datafolha após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, acompanhando o comportamento dos índices em Nova York, o Ibovespa passou esta sexta-feira em baixa, para encerrar o pregão com perdas de 1,30%, aos 84.334,41 pontos.

Na semana, a desvalorização foi de 0,57%. No entanto, em 2018, os ganhos ainda superam 10%. "Um clima pessimista tomou conta da sessão de negócios hoje e, diante das incertezas, ninguém quer tomar risco para passar o final de semana", assinalou um operador de renda variável, para quem as discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) que têm ocorrido em torno da prisão ou liberdade de políticos condenados em 2ª instância - expressas por ministros da Corte nos julgamentos de habeas corpus pedidos - deixa os investidores ressabiados.

"Nunca se sabe qual a decisão será tomada nas votações do STF, pois a Corte está muito parelha e, dependendo de apenas um voto, pode ir para um lado ou para outro", complementa Victor Martins, analista da Planner Corretora Valores.

Além disso, diz, a indefinição dos candidatos e suas plataformas econômicas deixa o mercado sem visibilidade. Nesse contexto, a primeira pesquisa Datafolha desde a prisão do ex-presidente Lula será divulgada. A pesquisa vai trazer um total de 19 presidenciáveis entre eles o petista em três de nove cenários e ainda o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa em todos eles. Para além dos problemas internos, a trajetória de queda do mercado acionário dos Estados Unidos também deu o tom por aqui.

Entre as blue chips, as ações do setor bancário, que têm peso significativo no Ibovespa, tiveram forte recuo, em parte, sendo influenciadas pelas perdas de seus pares em Wall Street, como JPMorgan (-2,71%), Citigroup (-1,55%) e Goldman Sachs (-1,41%). Por aqui, Banco do Brasil ON perdeu 3,36% e foi seguido por Itaú Unibanco PN (-2,32%), Bradesco (-2,19%) e as units do Santander (-1,52%).

Taxas de juros

Os juros futuros encerraram a semana em alta, quando observados os contratos mais longos, e em torno da estabilidade, nos vencimentos mais curtos. A inclinação da curva de juros aconteceu nesta sexta-feira de dólar mais caro e temor global com o conflito comercial do presidente americano, Donald Trump, com a China e do embate geopolítico dos Estados Unidos com a Síria. Na máxima, o contrato para maio do dólar chegou aos R$ 3,4355.

Considerando a cena doméstica, a última sessão da semana foi marcada pelo receio de a pesquisa de intenção de voto do Instituto Datafolha, a ser divulgada neste fim de semana, venha a piorar o quadro já turvo e repleto de incertezas sobre a disputa eleitoral neste ano. Nesse contexto, o DI para janeiro de 2019 encerrou a sessão regular a 6,225% ante 6,224% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2020 fechou a 6,930% ante 6,981% no ajuste de ontem.

O DI para janeiro de 2021 fechou a 8,010% ante 8,012% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2023 fechou a 9,190% ante 9,122% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2025 fechou a 9,730% ante 9,642% no ajuste de ontem. "O motivo doméstico da inclinação da curva não mudou: a incerteza eleitoral continua.

Sendo que, da incerteza eleitoral, faz parte a incerteza com a condução do resultado fiscal do Brasil e também incerteza política", afirmou a gestora de Renda Fixa da Mongeral Aegon Investimentos, Patrícia Pereira.