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Porto Alegre, segunda-feira, 1 de Maio de 2017

  • 20/04/2017
  • 13:49
  • Atualização: 16:46

Psiquiatra alerta para mudanças de comportamento nos jovens relacionados ao "jogo Baleia Azul"

Desafio tem afetado adolescentes através do Facebook e WhatsApp

Psiquiatra alerta para mudanças de comportamento nos jovens relacionados ao jogo Baleia Azul | Foto: Divulgação / USP Imagens / CP

Psiquiatra alerta para mudanças de comportamento nos jovens relacionados ao jogo Baleia Azul | Foto: Divulgação / USP Imagens / CP

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  • Correio do Povo e Rádio Guaíba

Muito tem se repercutido sobre o "jogo Baleia Azul" na internet devido ao número significativo de adolescentes envolvidos. A Baleia Azul teve seu início na Rússia, quando mais de 100 casos de suicídio foram relacionados ao fenômeno. No mês de abril, já foram revelados alguns casos de jovens no Brasil que teriam participado dos desafios impostos por grupos fechados no Facebook e de WhatsApp, e que chegaram até a última missão: o suicídio.

Em entrevista à Rádio Guaíba na manhã desta quinta-feira, o psiquiatra Carlos Pacheco relatou que os casos são recentes no País e alertou sobre mudanças repentinas nos comportamento de jovens que são propensos a participarem do "jogo". "Isolamento, perda de interesse nas atividades que ele costumava fazer, falta de interesse nas relações interpessoais, instabilidade, crises de raiva e marcas de agressão e mutilação", citou exemplos. "Tomar porres consecutivos, quedas e acidentes, situações onde se colocam em risco. Além de ter mais cuidados aos que já estão vulneráveis, que ja passaram por situação de violência, de bullying, que estão com autoestima muito baixa", acrescentou.

Pacheco também salientou que nem todo jovem vai responder da mesma forma ao jogo. "Estamos encontrando adolescentes na faixa entre 13 e 17 anos. Isto não atinge todos os jovens. Não é todo jovem que abrir este jogo e vai ter o mesmo comportamento. A gente sabe que normalmente jovens que estão procurando este tipo de jogo, já tem algum indicativo a problemas de sofrimento e baixa autoestima. Já outros adolescentes têm uma crítica mais clara sobre ao jogo", disse.

O psquiatra reforçou que é necessário uma atenção dobrada nos jovens que apresentem alguma alteração repentina de comportamento e que seja oferecida ajuda imediata. "Nosso alerta é todo para condutas afirmativas em relação a vida e os cuidados com nossos filhos. Tem muita coisa na internet que para um jovem imaturo e fragilizado, pode soar como verdade. E é nisso que temos que estar próximo, pra que ele saia desta situação", disse. "Se você ver que seu colega não está legal, tem momentos de isolamento, de tristeza, de choro, ofereça ajuda. Comunique outros amigosDesafio. A escola também tem que auxiliar. Temos que falar destes assuntos e ter este cuidado", encerrou.

Secretaria da Saúde reforça cuidados

Nessa quarta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre emitiu uma nota orientando os pais e responsáveis por adolescentes sobre o "jogo Baleia Azul". O alerta aciona para sinais como falas que mencionem indiretamente sobre "morte e suicídios", "vontade de sumir" e "ir embora", mudanças no hábito de sono, alimentares, piora no desempenho escolar, comportamentos auto-destrutivos como auto-mutilação, uso de álcool e drogas e tentativas de suicídios anteriores.

A Secretaria oferece dois plantões de emergência em saúde mental com atendimento 24 horas localizado no Centro de Saúde Vila dos Comerciários e no Centro de Saúde IAPI.

Deca investiga casos com Ministério Público e a Polícia Civil

A delegada Adriana Costa do Departamento Estadual da Criança e Adolescente (Deca) de Porto Alegre afirmou que a Polícia Civil está em investigação sobre casos relacionados à Baleia Azul. "Polícia sempre teve registros de ocorrências de tentativas de suicídios entre adolescentes. É muito prematuro a gente afirmar que estas tentativas tenham a ver com jogo. Estamos verificando o número nos últimos tempos pra ver se houve se há vinculação", divulgou Adriana em entrevista à Rádio Guaíba.

Adriana também contou que o Deca e a Delegacia de Homicídios estão realizando trabalho em conjunto indo em escolas e alertando sobre os perigos dos crimes cibernéticos. "Temos um trabalho de prevenção que realizamos junto as escolas, onde abordamos vários temas, questão de bullying, de escolha e de diferenças", relatou.

Ao lado do Ministério Público, o Deca e a Polícia Civil já foram acionados e estão em alerta, devendo os casos suspeitos ser denunciados também a essas instâncias com vistas à adequada investigação e apuração dos casos. Ações conjuntas estão sendo organizadas e serão oportunamente divulgadas com vistas ao manejo adequado dessa situação.