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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

  • 13/10/2017
  • 09:14
  • Atualização: 09:23

Aliados do governo catalão querem proclamação definitiva da independência

Madri deu prazo de 5 dias para Catalunha esclarecer situação

Madri deu prazo de 5 dias para Catalunha esclarecer situação | Foto: Cesar P.Sendra / POOL / AFP / CP

Madri deu prazo de 5 dias para Catalunha esclarecer situação | Foto: Cesar P.Sendra / POOL / AFP / CP

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  • AFP

As alas mais radicais do separatismo pressionam o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, a proclamar a República na região, cuja economia começa a acusar os efeitos da crise política. O partido de esquerda radical CUP, aliado chave do governo separatista catalão, pediu a Puigdemont que retire a suspensão da declaração de independência da Catalunha ante a ameaça de Madri de acabar com parte da autonomia da região.

"Apenas com a proclamação da república seremos capazes de respeitar o que a maioria expressou nas urnas", afirma o partido em uma carta ao presidente regional, em referência ao referendo de autodeterminação inconstitucional de 1 de outubro. "Se pretendem seguir aplicando (...) o artigo 155 da Constituição e querem continuar nos ameaçando ou amordaçando, que o façam com uma República já proclamada", afirma na carta a CUP, partido fundamental para a manutenção do governo independentista, formado por uma coalizão de conservadores e progressistas.

Na quinta-feira, a influente associação independentista Assembleia Nacional Catalã, que organizou várias manifestações nacionalistas nos últimos anos, fez uma advertência similar. "Diante da negativa do Estado espanhol a qualquer proposta de diálogo, não faz nenhum sentido manter suspensa a declaração de independência", afirmou em um comunicado. De acordo com o governo regional, na consulta, proibida pela justiça, 90% dos eleitores votaram 'sim' e, apesar da taxa de participação de 43% do eleitorado, Puigdemont se comprometeu a aplicar o resultado.

No entanto, em uma sessão parlamentar confusa na terça-feira, o presidente regional afirmou que assumia o mandato de criar uma república, mas pediu a suspensão dos efeitos da independência, como um "gesto" para buscar uma mediação internacional em sua disputa com Madri. A manobra esbarra na posição do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, que rejeita de modo veemente qualquer tipo de mediação e enviou na quarta-feira um requerimento ao dirigente catalão para que esclareça se declarou ou não a secessão.

Puigdemont tem até segunda-feira para responder. Caso não apresente uma resposta ou afirme que proclamou a República, deve retificar a medida até o dia 19 de outubro ou o governo central aplicará o artigo 155 da Constituição, que permite retirar competência do governo regional e, inclusive, suspender o mesmo.

Pressão econômica 

Nas últimas semanas, as ruas de Barcelona registraram manifestações gigantescas a favor e contra a independência, com pessoas de todo o espectro político, de extrema-esquerda secessionista até a ultradireita espanhola, obcecada pela unidade nacional. A agitação aumentou ainda mais com a pressão econômica. Nos últimos dias, diante da incerteza reinante, várias empresas de renome retiraram a sede social da Catalunha, como o bancos CaixaBank e Sabadell, a Gas Natural, a Abertis e a editora Planeta.

O último alerta veio do Mobile World Congress, o grande evento mundial dos telefones celulares que acontece todos os anos em Barcelona. De acordo com o jornal digital El Confidencial, a organização cogita adiar a data da próxima edição, prevista para fevereiro de 2018, e inclusive deixar Barcelona no futuro. A incerteza também afeta o turismo, em uma região que recebe 25% das pessoas que visitam a Espanha, terceiro maior destino turístico mundial. Alguns hotéis registram um número de vagas maior que o normal e vários estabelecimentos reduziram os preços à metade. A agência de classificação Standard and Poors advertiu para o risco de "recessão" na região, caso a tensão aumente com Madri.

A Catalunha, região de 7,5 milhões de habitantes que representa 19% do PIB espanhol, está dividida sobre a independência. Uma ampla maioria, no entanto, defende a organização de um referendo de autodeterminação autorizado pelo governo de Madri, que se nega de forma taxativa alegando que a soberania cabe ao conjunto dos espanhóis e não a uma parte deles.