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Porto Alegre, terça-feira, 25 de Julho de 2017

  • 17/05/2017
  • 09:34
  • Atualização: 11:53

Putin diz estar "disposto a fornecer gravação" de conversa Trump-Lavrov

Presidente russo revelou que aguarda administração norte-americana autorizar a divulgação do áudio

Putin quer que governo norte-americano autorize a divulgação de áudio da reunião com Trump | Foto: Yuri Kadobnov / Pool / AFP / CP

Putin quer que governo norte-americano autorize a divulgação de áudio da reunião com Trump | Foto: Yuri Kadobnov / Pool / AFP / CP

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  • AFP

O presidente russo Vladimir Putin zombou abertamente, nesta quarta-feira, do escândalo nos Estados Unidos devido às informações confidenciais que seu colega Donald Trump teria revelado ao chanceler russo Serguei Lavrov, e propôs revelar a transcrição da conversa. Ele falou pela primeira vez desde a explosão do escândalo que ameaça complicar as relações entre Washington e seus aliados.

Trump está no centro de uma nova polêmica, menos de quatro meses depois de sua chegada à Casa Branca, e a poucos dias de sua primeira viagem internacional. Este novo escândalo ocorre uma semana depois de Trump ter demitido de maneira caótica o diretor do Escritório Federal de Investigação (FBI).

Em uma coletiva de imprensa em Sochi (sul da Rússia), junto ao primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, Putin misturou ironia e críticas para evocar o escândalo nos Estados Unidos. Num primeiro momento, fez piada ao prometer uma "advertência" a seu ministro das Relações Exteriores porque "não compartilhou as informações secretas" com ele ou com o serviço secreto russo, o que provocou risadas de Serguei Lavrov e das autoridades russas.

Em seguida, mais seriamente, anunciou que "se a administração americana autorizar, estamos dispostos a fornecer a gravação da conversa entre Lavrov e Trump ao Congresso e ao Senado americanos". Logo após o fim da coletiva de imprensa, o conselheiro do Kremlin, Yuri Ushakov, citado pelas agências russas, disse que não se tratava de uma "gravação de áudio", mas de uma transcrição "feita por uma pessoa especial que está presente nos encontros" deste tipo.

Donald Trump foi acusado pelo jornal Washington Post de ter divulgado informações a respeito de uma operação que estaria sendo preparada pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), durante uma reunião em 11 de maio com Lavrov e com o embaixador russo nos Estados Unidos, Serguei Kisliak, na Casa Branca. De acordo com fontes concordantes, a informação teria sido apresentada aos Estados Unidos por Israel com a condição de não repassá-la a ninguém, nem sequer aos outros países aliados, para não expor a fonte.

Furioso, o senador republicano John McCain afirmou que se tratava de uma "mensagem inquietante aos aliados" dos Estados Unidos. Por sua vez, Chuck Schumer, líder da oposição democrata no Senado, pediu que a transcrição do encontro entre Trump, Lavrov e Kisliak seja entregue às comissões de inteligência do Congresso.

"Esquizofrenia política"

Para Putin, este escândalo ressalta o clima "crescente de esquizofrenia política" nos Estados Unidos. "O que vão inventar as pessoas que ventilam estas bobagens? Se não entendem que prejudicam o próprio país são simplesmente estúpidos. Se entendem tudo são perigosos e desonestos", disse.

Donald Trump insistiu no Twitter sobre seu direito de compartilhar informações sobre "terrorismo e segurança aérea". Uma opinião compartilhada nesta quarta-feira pela primeira-ministra britânica, Theresa May. "As decisões sobre o tema de discussão do presidente Trump com as pessoas que recebe na Casa Branca são assunto do presidente Trump", declarou May. "Seguiremos trabalhando com os Estados Unidos e seguiremos compartilhando informação de inteligência com os Estados Unidos", disse a primeira-ministra.

Um responsável da administração americana confirmou na noite de terça-feira à AFP os relatos do New York Times segundo os quais as informações compartilhadas pelo presidente eram provenientes de Israel, para onde Trump viajará na próxima semana. Por sua vez, Israel adotou nesta quarta-feira discrição e não comentou o escândalo diretamente. Seu ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, tuitou nesta quarta que "as relações de segurança entre Israel e Estados Unidos, nosso maior aliado, são profundas, importantes e sem precedentes". "Isso continuará sendo assim", acrescentou.