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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

  • 10/10/2017
  • 13:30
  • Atualização: 13:36

Operação das Forças Armadas deixa mais de 2 mil alunos sem aula na Rocinha

Militares realizam buscas por traficantes, armamentos e drogas em regiões de mata da comunidade

Militares realizam buscas por traficantes, armamentos e drogas em regiões de mata da comunidade | Foto: Mauro Pimentel / AFP / CP

Militares realizam buscas por traficantes, armamentos e drogas em regiões de mata da comunidade | Foto: Mauro Pimentel / AFP / CP

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Por conta da operação das Forças Armadas e da Polícia Militar na manhã desta terça-feira, oito unidades de

ensino municipal da Favela da Rocinha, na zona Sul do Rio, não funcionaram. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, ao todo 2.489 alunos ficaram sem aulas.

Cinco escolas, duas creches, e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) não abriram. Moradores da Rocinha relataram que voltaram a escutar tiros, nesta terça-feira. Por volta das 11 horas, disparos foram ouvidos de longe.

O porta-voz do Comando Militar do Leste (CML), coronel Roberto Itamar, disse que a ação das Forças Armadas nesta terça-feira será "pontual". Os 550 militares estão atuando em apoio a 550 policiais militares que realizam buscas por traficantes em regiões de mata da Rocinha, por armamentos e drogas. Os militares chegaram na região por volta das 5h40min. A PM montou 29 pontos de bloqueio.

"A ação será pontual, com um foco, que é atuar no apoio dos policiais em vasculhamentos pela mata da favela. Estes pontos foram mapeados pelo setor de inteligência da Secretaria de Segurança. A operação deve se encerrar hoje mesmo, já que não dá para fazer este tipo de busca de noite", disse o coronel.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança, a varredura na mata também atinge o entorno da comunidade da Rocinha, como São Conrado.

A ajuda do Exército foi solicitada após a volta de registros de intensos tiroteios na região. Nesta segunda-feira, dois homens foram encontrados mortos na parte alta da favela. Os corpos, que não foram identificados, tinham vários ferimentos na cabeça.

Na segunda-feira, a Polícia Civil também prendeu o traficante Adailton Soares, que seria um dos seguranças de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, "chefe" do tráfico na região, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Ele passou a noite na delegacia da Rocinha, prestou depoimento e nesta manhã foi transferido para o sistema penitenciário. O conteúdo do depoimento não foi informado pelos investigadores, de modo a não atrapalhar as investigações.

O capitão Maicon Pereira, um dos porta-vozes da PM, garantiu que apesar de Rogério continuar solto, a ocupação, iniciada no dia 18 de setembro, depois que Rocinha foi invadida por traficantes rivais, está avançando. "A operação é contínua, para restabelecer a paz na comunidade. A cada dia apreendemos uma arma, ou mais. São mais de 18 fuzis e 10 presos. A área de mata é muito vasta. Essa é uma das maiores favelas do Rio."

Denúncias

Diante dos relatos de moradores de que basta a saída dos policiais das ruas para os traficantes voltarem, o capitão clamou: "É importante frisar que as pessoas devem denunciar pelo 190 ou o Disque-Denúncia. Dependemos dessas informações. A operação está dando resultados." Os moradores contam que têm medo de denunciar porque se sentem monitorados pelos bandidos. "A gente sabe quem manda. O melhor a fazer é tentar tocar a vida e não se meter nem com bandido nem com polícia", disse um vendedor ouvido pela reportagem.