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Porto Alegre, terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

  • 17/06/2017
  • 19:23
  • Atualização: 19:25

Operação Greenfield mira em 50 grupos e perdas de R$ 54 bilhões

Prejuízos afetam vida de quase 2 milhões de funcionários públicos na ativa e aposentados

Operação Greenfield mira em 50 grupos e perdas de R$ 54 bilhões | Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / CP

Operação Greenfield mira em 50 grupos e perdas de R$ 54 bilhões | Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / CP

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A Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras, é de longe a mais popular. A Operação Zelotes, a mais surpreendente, por investigar pagamento de propinas de grandes empresas e até de bancos para se livrar de multas da Receita Federal. Mas, de longe, a que mais impressiona é a Operação Greenfield, pelo volume de prejuízos, a quantidade de investigados e a de lesados.

A Greenfield apura a conduta de 50 grupos econômicos, gerou R$ 53,8 bilhões em prejuízos que afetam a vida de quase 2 milhões de funcionários públicos na ativa e de aposentados. "Os prejuízos e os valores são muito altos", diz o procurador Andrey Borges de Mendonça, quando define a Greenfield.

Quando a operação foi deflagrada, os investigadores estimaram que dez grupos estavam envolvidos e o prejuízo somava R$ 8 bilhões. No entanto, à medida que novas evidências foram surgindo ficou claro que o esquema era muito maior.

Além da própria Greenfield, que investiga supostas fraudes em fundos de pensão, essa operação agora engloba também os resultados da Cui Bono, que apura cobrança de propina na liberação de empréstimos na Caixa, e também a Sépsis, que, por sua vez, investiga supostos esquema de pagamento de propina para liberação de recursos do FI FGTS, fundo que, como diz o nome, é mantido com recursos dos trabalhadores e gerenciado pela Caixa.

Fusão

A fusão de operações, por assim dizer, leva em consideração três pontos. O primeiro é o fato de tratarem do mesmo tema: investigar a gestão e o destino do dinheiro dos chamados investidores institucionais. Nessa lista o Ministério Público Federal (MPF) incluiu os grandes fundos de pensão de estatais, como Previ, dos funcionários do Banco do Brasil e Petros, dos trabalhadores da Petrobras; bem como institutos de previdência estaduais e municipais; o FI FGTS, cujo o patrimônio passa de R$ 3 bilhões; além de diretorias da própria Caixa, que movimentam grandes financiamentos para empresas.

Em comum essas operações também têm os mesmos personagens. Empresas do Grupo J&F, controlador da JBS, por exemplo, têm financiamento da Caixa, recursos do FI-FGTS e aporte de fundos de pensão. Em terceiro lugar, o modelo de atuação para se conseguir o dinheiro era bem parecido. Incluía a criação de uma nova empresa, do zero, seus ativos eram superavaliados e ocorria pagamento de propinas dos empresários para executivos da Caixa e gestores dos fundos de pensão para a liberação do dinheiro. Enfim, gestão temerária.

Segundo cálculos do MPF e da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), o "xerife" do mercado de capitais, esses investidores institucionais têm R$ 1 trilhão para investir anualmente - praticamente o mesmo valor de todo Orçamento anual do governo federal. Mas a maior parte dos recursos pertence a assalariados de empresas privadas e servidores, como bancários e professores de escolas públicas que foram surpreendidos pelos prejuízos dos esquemas.

A Funcef, por exemplo, que reúne economiários da Caixa, tem R$ 17 bilhões de déficit e compartilhou o prejuízo com funcionários da ativa e aposentados. Entre as origens do prejuízo está um investimento de mais de R$ 1 bilhão na Sete Brasil, empresa criada para monitorar a produção de sondas para a exploração do pré-sal que se mostrou foco de corrupção na Lava Jato. Virou pó.

"Temos aposentados com mais de 100 anos de idade que estão pagando por isso. Nem eles, nem eu, com 43 anos de Caixa, imaginamos que algo assim aconteceria", diz Jesse Krieger, presidente do Conselho Deliberativo da Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa.