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  • 12/08/2017
  • 15:53
  • Atualização: 19:05

Corpo de Carlos Araújo é velado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

Cerimônias fúnebres serão encerradas com a cremação do corpo em evento restrito ao família

Velório de Carlos Araújo ocorre no salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa | Foto: Alina Souza

Velório de Carlos Araújo ocorre no salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa | Foto: Alina Souza

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* Com informações da repórter Flávia Bemfica

O corpo do ex-deputado Carlos Franklin Paixão de Araújo, que morreu na madrugada deste sábado, no Complexo da Santa Casa, em Porto Alegre, está sendo velado no salão Júlio de Castilhos Assembleia Legislativa. A cerimônia é aberto ao público e será encerrada às 21h, quando ocorrerá a cremação, em evento privado. Familiares, amigos, lideranças políticas e admiradores marcam presença no local para prestar as últimas homenagens ao pedetista. Desde o início do velório, uma fila de pessoas se formou para prestar condolências a ex-presidente Dilma Rousseff, que foi casada com Araújo e ainda não se manifestou publicamente sobre a perda. 

O ex-governador Alceu Collares, o ex-prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, os deputados federais Pepe Vargas e  Marco Maia (ambos PT), os estaduais Tarcísio Zimmermann e Adão Villaverde (PT) e Pedro Ruas (Psol) e o ex-secretário da Educação, Vieira da Cunha estão entre as lideranças políticas que já se encontram na Assembleia.

O vice-governador José Paulo Cairoli foi o primeiro integrante do governo estadual a prestar homenagem. Ele chegou ao velório pouco depois das 16h. “Não estou aqui representando o governo e sim como amigo. O Araújo era um líder do diálogo, uma pessoa que conseguia aproximar e que tinha a consciência da importância de uma conversa”, resumiu.

Já a deputada estadual Juliana Brizola disse na tarde deste sábado que com a morte de Carlos Araújo o Brasil perde um grande exemplo de luta pelo bem comum. Juliana foi a primeira representante das bancadas pedetistas a chegar a Assembleia Legislativa para se despedir do ex-deputado.

O político foi internado no último dia 25 de julho com quadro de cirrose medicamentosa. Apresentou infecção generalizada nesta madrugada e não resistiu. Durante o tratamento, Dilma realizou visitas ao ex-marido. A ex-presidente participava de um evento na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) quando ficou sabendo do ocorrido e imediatamente retornou para Porto Alegre.

Carlos Araújo era político histórico do PDT, partido do qual se afastou no ano de 2000, junto com Dilma e outros correligionários. Ele retornou à sigla em 2013, partido que ajudou a fundar com o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola.

Ex-guerrilheiro, Araújo é reconhecido como um defensor das ideias de esquerda e do trabalhismo. Durante a gestão de Dilma Rousseff na presidência e mesmo após o impeachment, foi uma das pessoas mais próximas da petista.

Confira o comunicado médico sobre a morte de Carlos Araújo:

"Com imenso pesar comunicamos o falecimento do Dr. Carlos Flanklin Paixão Araujo. O mesmo ocorreu ao primeiro minuto de hoje, 12 de agosto de 2017, na unidade de tratamento intensivo do Pavilhão Pereira Filho, hospital especializado em doenças respiratórias da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Aos 79 anos, era portador de doença pulmonar obstrutiva crônica, complicada por quadro de miocardiopatia dilatada isquêmica.

Internou para manejo de descompensação das condições referidas. Apresentou infecção de vias aéreas inferiores, com necessidade de admissão à unidade de terapia intensiva, uso de ventilação mecânica por insuficiência respiratória. Evoluiu com infecção generalizada, determinando colapso circulatório e, finalmente, refratariedade às medidas, com óbito. Expressamos nossos sentimentos à família e amigos do ilustre advogado e político, perda inestimável e motivo de sofrimento para todos que o conheciam".

História

Nomeado em homenagem aos comunistas históricos Karl Marx e Luiz Carlos Prestes, Carlos Araújo nasceu em 1938, em São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul. Em contato desde a adolescência com a militância comunista, chegou a participar, em 1958, do Festival Internacional da Juventude, em Moscou, na União Soviética. Lá, se desiludiu com a esquerda após ler sobre as denúncias de Nikita Kruschev sobre os crimes de Joseph Stalin.

Com o golpe de 1964 e a instauração da ditadura militar, passou para a luta armada com o codinome Max. Foi neste período que conheceu Dilma, mais conhecia como Estela. Ambos foram presos e torturados pelas forças militares. Após a redemocratização, voltou a Porto Alegre e se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), de Leonel Brizola, quem já conhecia desde a década de 1960.

Pela legenda, foi eleito para três mandatos de deputado federal entre as décadas de 1980 e 1990. Em 1988 e 1992, se candidatou à prefeitura de Porto Alegre, mas foi derrotado pelos petistas Olívio Dutra e Tarso Genro, respectivamente. Após se afastar do partido em 2000, se reaproximou em 2012, mas permaneceu apenas como conselheiro de alguns nomes.