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Porto Alegre, sábado, 23 de Setembro de 2017

  • 19/05/2017
  • 23:38
  • Atualização: 23:39

Defesa alega que governo tem “informações seguras” de edições em áudio

Advogados de Temer vão pedir perícia de áudios gravados por Joesley Batista

Gravações de Joesley são colocadas sob suspeita pela defesa do governo | Foto: Vanessa Carvalho / Brazil Photo Press / AFP / CP

Gravações de Joesley são colocadas sob suspeita pela defesa do governo | Foto: Vanessa Carvalho / Brazil Photo Press / AFP / CP

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  • AE

O advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira disse nesta sexta-feira que o governo tem "informações seguras" sobre a existência de adulterações e montagens no áudio da conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS.

Amigo do presidente há 40 anos, Mariz se reuniu com Temer, em Brasília, e vai assumir a sua defesa. Uma das estratégias jurídicas, após a delação premiada feita por Joesley, é pedir a perícia da gravação que veio a público. “Soubemos que a fita foi editada e isso é gravíssimo”, afirmou Mariz ao jornal O Estado de São Paulo. “É uma indignidade o que estão fazendo contra o presidente da República e contra o Brasil.”

Na conversa com Temer no Palácio do Jaburu, no dia 7 de março, Joesley disse que estava “de bem” com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. “Tem que manter isso, viu”, respondeu Temer. Em seguida, Joesley acrescentou: “Todo mês”. Parte do diálogo, porém, é inaudível.

A defesa tenta desqualificar Joesley, sob o argumento de que o empresário se valeu de uma delação falsa com o único objetivo de obter benefícios para ele e sua companhia. “A verdade começou a ser reposta. Há absoluta falta de seriedade nas acusações”, afirmou Mariz.

PGR produziu laudos sobre áudio

O Ministério Público Federal (MPF) produziu quatro laudos iniciais de “verificação de gravação do arquivo de áudio” nas gravações entregues pelo delator. Para a analista Elaine Sobral e o técnico Eder Gabriel, do MPF, o diálogo do arquivo “encontra-se audível, apresentando sequência lógica”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Lava Jato, apontou no despacho de abertura do inquérito que tem Temer entre os investigados que não há ilegalidade nos áudios gravados por Joesley.

“Convém registrar, ainda e por pertinência, que a Corte Suprema, no âmbito de Repercussão Geral, deliberou que 'é lícita a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do outro'. Desse modo, não há ilegalidade na consideração das quatro gravações em áudios efetuadas pelo possível colaborador Joesley Mendonça Batista, as quais foram ratificadas e elucidadas em depoimento prestado perante o Ministério Público”, escreveu Fachin.