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Porto Alegre, domingo, 22 de Outubro de 2017

  • 13/05/2017
  • 20:16
  • Atualização: 20:23

Softwares facilitam vida do produtor no agronegócio

Equipamentos automatizados analisam e compartilham dados da lavoura

Softwares facilitam vida do produtor no agronegócio  | Foto: Paulo Kurtz / Embrapa / Divulgação / CP

Softwares facilitam vida do produtor no agronegócio | Foto: Paulo Kurtz / Embrapa / Divulgação / CP

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  • Nereida Vergara

Responsável por 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2016, o agronegócio têm seus resultados potencializados pela tecnologia, que se integra progressivamente às lavouras para deixá-las mais inteligentes. Na era digital, empresas de todo o país investem em soluções que facilitam as atividades da propriedade rural e que podem ser acessadas até pela tela do celular. Controle de irrigação e do uso de fertilizantes, análise e correção do solo ou de falhas na semeadura, acompanhamento do desenvolvimento das plantas e até máquinas dirigidas a distância, entre outras possibilidades, surgem em equipamentos e aplicativos disponíveis, muitos de baixo custo, e capacitados a funcionar mesmo onde o sinal de internet não chega. As vantagens, segundo os especialistas, estão se sobrepondo às desvantagens e fazendo mais gente ficar no campo, do plantador de alfaces ao grande sojicultor.

O crescimento do setor e o interesse pelo que ele oferece foram destaque na 24ª Agrishow, no início do mês, em Ribeirão Preto (SP). A feira, pela primeira vez, exibiu o espaço “Fazenda Inteligente”, reunindo startups com foco na atividade agropecuária. Segundo a Associação Brasileira de Startups, existem hoje no país 70 empresas com este perfil, número que deve crescer 210% até o final de 2017. A adesão não tem decepcionado. O agrônomo Leonardo Menegatti, presidente da InCeres, de Piracicaba, pretende aumentar de três para seis milhões de hectares a área coberta por seu serviço ainda neste ano.

A empresa oferece monitoramento da propriedade por satélite, mapas de produtividade, análise de fertilidade do solo e carta climática em módulos de R$ 2 a R$ 4 por hectare, preço cobrado por ano. “Nosso interesse é fornecer esses dados a um número cada vez maior de produtores, independentemente da cultura e do tamanho da propriedade”, diz Menegatti, ao mesmo tempo em que revela que 80% dos hectares cobertos pelos serviços são cultivados com soja, milho, arroz e trigo.

A Agrosmart, de Campinas, projeta quadruplicar em 2017 o serviço que presta hoje em 50 mil hectares do país. A empresa instala sensores nas propriedades e, com o sistema, consegue monitorar 14 variáveis em lavouras irrigadas e de sequeiro. Com o cruzamento dessas variáveis, o agricultor recebe em um aplicativo de celular, em tempo real, a localização exata de onde e quando deve irrigar a plantação.

O sistema tem potencial para gerar economia de 60% da água utilizada na propriedade e 40% da energia, além de aumentar a produtividade em até 15%. “O custo da assinatura do serviço varia de R$ 30 a 300 reais por hectare/ano e atende desde o agricultor familiar até o grande produtor, sem a necessidade de internet em toda a propriedade, bastando um único ponto de sinal, na casa ou escritório da fazenda. O sistema também oferece relatórios mensais e ao final da safra”, afirma o analista de mercado da empresa, Caio Bacci.

O futuro tecnológico das lavouras tem sido tema frequente de eventos e encontros de produtores rurais. O gestor sênior de tecnologia para a América Latina do grupo Logicalis, Lucas Pinz, diz que o agricultor precisa entender que é questão de estratégia sua adaptação à digitalização da propriedade para ganhar eficiência e competitividade. Para exemplificar os dividendos do avanço, lembra que o número de pessoas alimentadas por um agricultor norte-americano não passava de dez em 1930 e chega a 155 em 2017. “A digitalização é decisiva para continuar esse processo evolutivo”, acrescenta.