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  • 23/06/2017
  • 11:41
  • Atualização: 11:49

Sicadergs admite apreensão com suspensão das exportações de carnes para EUA

Ronei Alberto Lauxen teme que perda temporária de mercado gere reflexos negativos para o produtores

Sicadergs admite apreensão com suspensão das exportações de carnes para EUA | Foto: Paulo Nunes / CP Memória

Sicadergs admite apreensão com suspensão das exportações de carnes para EUA | Foto: Paulo Nunes / CP Memória

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  • Guilherme Kepler / Rádio Guaíba

O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Alberto Lauxen, afirmou nesta sexta-feira estar preocupado com o anúncio da suspensão de todas as exportações de carne bovina do Brasil para os Estados Unidos. Conforme Ronei, a notícia deixa o setor apreensivo, principalmente porque o Estado possui um frigorífico que estava vendendo carne para os americanos.

- Ministro admite preocupação que outros países adotem medida dos EUA de suspender carne brasileira

“Em relação ao mercado é uma coisa que nos deixa apreensivo, pois nós tínhamos uma planta, frigorífico de São Gabriel, que estava exportando para os EUA. E com essa parada, isso pode provocar reflexos negativos para o mercado. Talvez até no nível do preço. Pois vários animais eram direcionados para esse mercado e pode ter reflexos negativos para o produtor”, salientou.

O presidente do Sicadergs também alertou que reflexos negativos em demais mercados podem aparecer, pois os Estados Unidos servem de referência para outros países. “O fato é negativo, porque é um mercado importante que o país tinha conquistado há pouco tempo. O mercado dos EUA é importante em função do que ele representa em nível de conquista de outros mercados. Isso pode ter reflexos negativos agora nesse momento com esse embargo”.

De acordo com o ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a adulteração observada na carne na análise feita pelos Estados Unidos se dá por reação da vacina contra a febre aftosa. Ronei pediu que os laboratórios que produzem a vacina desenvolvam estudos para que isso não ocorra. “Nós precisamos entender os motivos pelos quais os Estados Unidos tomaram essa medida. Pois é uma situação que não depende somente das indústrias. Isso ocorre em função de abcessos causados pela vacina contra a febre aftosa. É uma reação natural que pode acontecer em alguns animais. Então é uma situação, que, às vezes, fica fora do alcance da indústria. Acredito que deveria ter um estudo por parte dos laboratórios que desenvolvem essa vacina para que não houvesse essa reação nos animais”.

Sobre ações do Ministério da Agricultura, o presidente do Sicadergs acredita que as autoridades estão atuando para contornar essas situações o mais rápido possível. “Nós estamos vendo que as autoridades, o Ministério da Agricultura, está trabalhando e esperamos que eles consigam contornar essas situações que são normais dentro de um mercado que é tão complexo”, declarou.

Conforme anúncio realizado nessa quinta-feira, a suspensão dos embarques de carne bovina permanece em vigor até que o Ministério da Agricultura brasileiro tome medidas corretivas que o Departamento de Agricultura americano considere satisfatórias. Foram suspensas as exportações de três plantas da Marfrig localizadas em São Gabriel (RS), Promissão (SP) e Paranatinga (MS); uma da JBS, localizada em Campo Grande (MS); e uma da Minerva, em Palmeiras de Goiás (GO).

O Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos dos EUA inspeciona todos os produtos de carne provenientes do Brasil e, desde março, recusou a entrada para 11% dos produtos brasileiros de carne fresca. Desde o aumento da inspeção, foi recusada a entrada de 106 lotes de produtos bovinos brasileiros devido a problemas de saúde pública, condições sanitárias e problemas de saúde animal. A nota dos Estados Unidos salienta que o governo brasileiro se comprometeu a resolver essas preocupações.