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  • 03/08/2017
  • 08:22
  • Atualização: 08:35

RS busca carne bovina no Centro-Oeste devido ao preço

Situação deixa produtores gaúchos preocupados

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  • Correio do Povo

A compra de carne bovina do Centro-Oeste pelos frigoríficos do Rio Grande do Sul tem causado preocupação entre os produtores gaúchos. O tema tem sido discutido pelo governo do Estado, por meio das secretarias da Fazenda e da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). Os números ainda estão sendo calculados pela Receita Estadual, a partir da movimentação da nota fiscal eletrônica. Tanto o governo do Estado quanto os frigoríficos admitem que o volume aumentou. Segundo a Seapi, em junho e julho entrou no Rio Grande do Sul o equivalente a 120 mil carcaças. Em meses tidos como “normais”, o volume era de 15 mil. Já o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado (Sicadergs) afirma que, desde o início do ano, entraram no Estado 135 mil carcaças de carne com osso. 

A avaliação do setor é de que a crise na pecuária de corte, provocada pela operação Carne Fraca, pela delação da JBS e pela suspensão das exportações para os Estados Unidos, ocasionou um acúmulo de carne no Centro-Oeste, que acabou sendo vendida aos frigoríficos gaúchos a um preço menor. “A situação está se agravando porque a carne está entrando e baixando o preço”, afirma o secretário da Agricultura, Ernani Polo. “Muitas vezes não se tem liquidez, então estamos vendo quais as ações possíveis de serem feitas”, complementa. Uma mudança na tributação chegou a ser cogitada, mas, segundo Polo, o mecanismo fica inviabilizado porque as taxas cobradas devem ser iguais para o mercado interno. 

A maior parte da carne vem do Mato Grosso do Sul, mas também há cargas provenientes do Mato Grosso, Goiás, Maranhão e Acre. Em alguns desses estados, a JBS era responsável por praticamente metade dos abates. Segundo o diretor-executivo do Sicadergs, Zilmar Moussalle, a carne daquela região tornou-se mais barata porque os produtores ficaram com receio de vender para a JBS com prazo de 30 dias, com medo de algum efeito da delação feita pelo empresário Joesley Batista. “Eles ficaram sem liquidez e aí baixou muito o preço lá em cima, consequentemente a compra do Rio Grande do Sul foi maior que a do ano passado”, afirma. 

Conforme o executivo, em anos anteriores, a carne do centro do país encontrava resistência entre os varejistas. “Só que melhorou muito a produção e a carne de lá agora está se equiparando com a nossa. Não que seja a mesma coisa, mas está de muito boa qualidade”, afirma. A tendência é de que estas compras diminuam nas próximas semanas, quando o produtor começa a tirar os bois das pastagens para plantar soja. Caso os preços se igualem com os do Centro-Oeste, Moussalle afirma que “a indústria tem todo o interesse em abater os animais daqui”. 

Conforme produtores, o preço da arroba no Rio Grande do Sul está em torno de R$ 145, enquanto que no Centro-Oeste oscila entre R$ 120 a R$ 130. “Essa carne não gera emprego aqui e o produtor daqui não vende o boi dele. É um efeito em cadeia”, reclama o presidente do Sindicato Rural de Alegrete, Pedro Piffero. Na avaliação dele, o preço pago ao pecuarista só não caiu mais porque o consumo no Rio Grande do Sul não registrou a mesma queda de outros estados.


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